Por: Cíntia Dabés Serretti

Conhecida por sua arquitetura europeia e suas noites com infinitas opções de balada, a capital porteña tem sofrido com as medidas drásticas na política interna e externa da atual presidente Cristina Kirchner. Muitas dessas mudanças afetaram o setor turístico e apresentam novas dificuldades para os estrangeiros que estão de passagem pelo país. Saiba os truques para contornar a crise e ter uma viagem inesquecível.

Restrições na compra de moeda estrangeira

Uma das principais dificuldades é a troca de dinheiro dentro do território argentino. Desde o começo desse ano, a Administração Federal de Ingressos Públicos (AFIP) – órgão do Ministério da Economia da Argentina – restringiu a venda de moeda estrangeira dentro do país frente à crescente desvalorização da moeda local. Como consequência, as casas de câmbio brasileiras baixaram o valor do peso na troca pelo real e algumas nem compram mais cédulas argentinas.

Apesar de todos estes promoedas e a inflaçãoblemas, há maneiras de colocar os contratempos a seu favor. As casas de câmbio no Brasil trocam em média 1 real por 1, 97 pesos – já na Argentina esse valor sobe para 2,42, ou seja, um aumento de aproximadamente 22%. A dica é comprar o mínimo de pesos argentinos no Brasil, somente o necessário para pagar as contas imediatas, e trocar a maior parte dos reais na Argentina.

A executiva Karina Dourado visitou recentemente Buenos Aires e diz que só trocou 100 pesos no Brasil e deixou para fazer a maior parte das transações cambiárias lá. “Eu ia trocando conforme ia gastando”, comenta. Ela também afirma que evitou ao máximo trocar demais e voltar com moeda argentina para o Brasil, mas disse que foi “inevitável”. “Deveria ter comprado mais alfajores com os pesos que me sobraram”, brinca.

É bom ir trocando os pesos aos poucos para não sobrar dinheiro cuja conversão será desfavorável, e evitar usar "dinheiro de plástico" – principalmente para evitar os 6,38% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado pelos cartões de crédito. Outra dica é levar dólares, que são muito bem aceitos por lá e também têm conversão vantajosa pelos comércios, oferecendo por cada dólar uma média entre a cotação oficial (4,60 pesos) e a cotação “azul”, ou seja, não oficial (6,40 pesos).

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Acostumados a fazer transações em dólar após a implantação das medidas de restrições cambiais da presidente Kirchner, os argentinos criaram um mercado paralelo à moeda – o chamado “dólar azul” – um hábito que não era adotado há pelo menos 10 anos, fazendo com que o viajante esteja sujeito às duas conversões. Essa pode ser a pedida para os turistas brasileiros, já que aí o dólar rende mais. É fácil encontrar as casas na região do centro, por exemplo na Calle Florida. Só fique de olho nas falsificações. 

Compras frente à inflação

Com a inflação que o mercado interno argentino está passando no momento, os preços de roupas, sapatos e acessórios também têm aumentado consideravelmente.

Se um dos seus objetivos é fazer compras, tenha em mente que várias lojas de grifes internacionais fecharam as portas como consequência de uma combinação de barreiras de importação, inflação, controles cambiais e desaceleração do turismo no país. Algumas das marcas que você não verá mais nas prateleiras argentinas são: Calvin Klein, Cartier, Yves Saint Laurent, Escada, Ralph Lauren, Ermenegildo Zegna, Louis Vuitton, Emporio Armani e Kenzo.

Izabella Figueiredo, jornalista, vai visitar o país vizinho pela terceira vez este ano para passar o réveillon e diz que suas expectativas de compras de artigos de luxo na cidade porteña são “quase nulas”.

Não existe alta costura barata [na Argentina], mas os preços de estilistas argentinos famosos ainda são mais baratos que em outros países. - Sophie Lloyd, consultora de moda “No quesito compras Buenos Aires não está valendo a pena mesmo. Acho que devo acabar comprando uma coisinha ou outra em comércios locais e feirinhas”. Ela conta que constatou que os preços estão similares aos praticados no Brasil. “Se comprar importados vai ser no Free Shop”, completa.

Karina conta que não comprou o tanto que gostaria de produtos importados porque o dólar estava em alta. “Mesmo pesquisando em ruas famosas pelo centro comercial como a Florida, não vi vantagem em comprar muitas coisas então trouxe somente uma jaqueta de couro porque achei que aqui é ainda mais caro do que lá”, comenta.
É bom ir trocando os pesos aos poucos para não sobrar dinheiro cuja conversão será desfavorável, e evitar usar "dinheiro de plástico" para evitar o IOF.
Quando questionado sobre como o fechamento das filiais de marcas internacionais afeta o fluxo de turistas, o ministro do Turismo Enrique Meyer não pareceu muito preocupado e mandou os donos das marcas “irem comer empanadas”. Em uma entrevista para a rádio argentina Mitre no fim de setembro, Meyer comentou sobre a saída da Louis Vuitton do país e declarou que a marca “está em todos os lugares, até demais” e disse que o importante é focar na expansão de marcas argentinas como La Martina (artigos de polo), Freddo (sorvetes) e as lojas de roupas e acessórios Pampero e Cardón, entre outras.

A consultora de moda que comanda o Shop Hob BA – um passeio turístico exclusivo para quem quer comprar enquanto viaja na capital argentina - a inglesa Sophie Lloyd, é especialista em marcas e designers argentinos. Ela afirma que as medidas implantadas pelo governo de restringir a entrada de produtos importados no país não afetou muito seu negócio, já que o Shop Hob BA se concentra nos produtos nacionais. “Os impostos para marcas importadas são tão altos que não compensa compra-las aqui uma vez que [meus clientes] podem adquiri-las mais barato em seus países”, comenta.

Como uma boa fashionistaPuerto Madero, Izabella também não descarta a compra de roupas e acessórios de marcas argentinas e diz que, apesar de a maioria das lojas serem mais caras, encontrou algumas que “cabem no orçamento”, como a Nina Piu e Complot. Ela também está animada para visitar a feirinha que acontece na Praça Serrano, em Palermo Soho, e vai “ em busca de coisas legais e acessíveis”.

Sophie afirma que o mundo da moda na Argentina “tem sido dominado por marcas nacionais por muitos anos.” De acordo com ela, “após o crash de 2001, muitas marcas internacionais saíram do país e muito poucas retornaram por causa dos altos impostos de importação”. A consultora ainda afirma que os preços de designers argentinos também têm aumentado com a inflação: “não existe alta costura barata [na Argentina]”, apesar de que “os preços de estilistas argentinos famosos ainda são mais baratos que em outros países”, completa.

Ela aconselha a comprar com cuidado e sabedoria, uma vez que há itens de boa qualidade e de bom preço a serem achados e explica que muitos dos novos estilistas estão vendendo suas coleções nos seus apartamentos ou estúdios como uma maneira de fazer com que os preços fiquem mais em conta. “Você só precisa saber onde ir... e é aí que eu entro”, afirma.

Hospedagem, transporte e alimentação: também subiram de preço?

Puerto Madera, Buenos AiresAtualmente, na capital argentina a viajante gasta entre R$ 16, 63 e R$ 101,75 pela diária em hostel ou entre R$ 74,08 e R$ 1.202 em hotel. Comparativamente aos custos de estadia há dois anos, não houve um aumento significativo nas diárias do setor hoteleiro. Esse panorama muda no setor dos transportes e alimentação.

Em outubro desse ano o jornal argentino La Nación divulgou uma pesquisa que mostra que o custo de alimentação na capital é quase igual ao de grandes metrópoles como Londres e Nova Iorque, e é mais caro que Madri.

Segundo dados oficiais do governo argentino, o índice de inflação em 2011 foi de 9,5%, mas as pesquisas de consultorias privadas divulgadas por partidos opositores aos kirchneristas apontam que a inflação foi de 22,8% - informação que foi alvo de duras críticas da presidente, afirmando que esses dados são “inconsistentes” e possuem “intencionalidade política”.

Mesmo assim, o movimento de restaurantes e bares caiu entre 30% e 50% desde janeiro. O preço de uma caixa de 12 unidades dos famosos alfajores Havanna subiu quase 20% entre janeiro e setembro deste ano, indo de R$ 25,20 para R$ 30. Deixe para comprar as guloseimas argentinas como alfajores e doce de leite nos supermercados, onde é possível encontrar Havanna com desconto de até 70% e marcas menos conhecidas, como Jorgito, que também são de qualidade. Quanto à alimentação em restaurantes, procure casas locais durante o dia e deixe os pontos turísticos em Puerto Madero, por exemplo, para jantares especiais. 

No quesito transporte, no começo desse ano a bandeirada diurna de táxis era de R$ 3,15. Em julho houve um reajuste de 12% para R$ 3,54, e em outubro houve outro reajuste de 12% para R$ 3,93, totalizando um aumento de 24% na bandeirada desde janeiro. Esse valor ainda é inferior ao cobrado nas grandes capitais brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo. Mas quem pretende economizar, a dica é usar o transporte público da cidade, que é extenso e eficiente. A passagem de metrô, por exemplo, custa pouco mais de um real e é uma maneira rápida e barata de visitar a maior parte das áreas turísticas. Compre um Guia T da cidade em qualquer banca de jornal, onde o sistema de transporte público vem explicado.

A consultora de moda que comanda o Shop Hob BA – um passeio turístico exclusivo para quem quer comprar enquanto viaja na capital argentina - a inglesa Sophie Lloyd, é especialista em marcas e designers argentinos. Ela afirma que as medidas implantadas pelo governo de restringir a entrada de produtos importados no país não afetou muito seu negócio, já que o Shop Hob BA se concentra nos produtos nacionais. “Os impostos para marcas importadas são tão altos que não compensa compra-las aqui uma vez que [meus clientes] podem adquiri-las mais barato em seus países”, comenta.  Comparativamente aos custos de estadia há dois anos, não houve um aumento significativo nas diárias do setor hoteleiro. Esse panorama muda no setor dos transportes e alimentação.

Como uma boa fashionista, Izabella também não descarta a compra de roupas e acessórios de marcas argentinas e diz que, apesar de a maioria das lojas serem mais caras, encontrou algumas que “cabem no orçamento”, como a Nina Piu e Complot. Ela também está animada para visitar a feirinha que acontece na Praça Serrano, em Palermo Soho, e vai “ em busca de coisas legais e acessíveis”.

Sophie afirma que o mundo da moda na Argentina “tem sido dominado por marcas nacionais por muitos anos.” De acordo com ela, “após o crash de 2001, muitas marcas internacionais saíram do país e muito poucas retornaram por causa dos altos impostos de importação”. A consultora ainda afirma que os preços de designers argentinos também têm aumentado com a inflação: “não existe alta costura barata [na Argentina]”, apesar de que “os preços de estilistas argentinos famosos ainda são mais baratos que em outros países”, completa.

Ela aconselha a comprar com cuidado e sabedoria, uma vez que há itens de boa qualidade e de bom preço a serem achados e explica que muitos dos novos estilistas estão vendendo suas coleções nos seus apartamentos ou estúdios como uma maneira de fazer com que os preços fiquem mais em conta. “Você só precisa saber onde ir... e é aí que eu entro”, afirma.

O veredito: Ir ou não ir

Buenos AirAlfajores sempre foi um dos lugares mais procurados pelas mulheres brasileiras na hora de escolher um destino internacional. Seja para visitar pontos turísticos, fazer compras, provar a gastronomia, passar a lua de mel ou curtir um tango com um lindo hermano, a cidade argentina é uma metrópole que não decepciona no quesito divertimento. E apesar do delicado momento econômico no qual a Argentina está passando, Buenos Aires é um destino que ainda compensa na relação custo/benefício.

Karina diz que valeu a pena ter feito a viagem ao nosso país vizinho. Ela achou que há lugares maravilhosos para passear e que as opções de eventos são um dos maiores atrativos de Buenos Aires. “Toda hora tem alguma coisa diferente para você fazer, novas exposições e ambientes para explorar. À noite há mil e uma opções de bares e baladas para todos os tipos de gosto. Há uma energia incrível”, explica. “Quero voltar”, completa.

Izabella também aprovou e conta que a impressão que teve da capital porteña foi tão boa que é por isso que está voltando pela terceira vez. “Acho que o fato de ir a um país diferente contribui para que eu aproveite muito mais. Os pubs, casas noturnas e restaurantes foram os lugares que me atraíram mais e trouxeram lembranças boas”, relembra.

Então você já sabe: antes de passear em Buenos Aires troque o mínimo de reais possível, pesquise bastante antes de comprar artigos de moda, adquira alfajores e doce de leite em supermercados, tente aprender a usar os transportes públicos locais e buen viaje!

A jornalista Cíntia Dabés Serretti, autora deste artigo, morou em Buenos Aires entre Janeiro de 2011 e Outubro de 2012. Ela, tal como as entrevistadas, também recomenda Buenos Aires como destino de viagem.

Fotografia: Shutterstock. Moedas (primeira foto). Compras nas barracas do bairro de San Telmo (segunda imagem). Puerto Madero (terceira e quarta fotos). Alfajores (última imagem).

 

Comentários

Meninas, tô indo pra lá no carnaval. Vocês vão me dando mais dicas sobre lá?

Beijinhossss

Claro, Julia! Fica atenta que vamos dando dicas bem legais para que o seu carnaval seja inesquecível!

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