Por: Natasha Sá Osório

Jimi Hendrix, Kurt Cobain, Bing Crosby... A lista de artistas que nasceram ou viveram em Seattle revela como a cultura floresce nessa cidade vibrante do noroeste dos Estados Unidos que é referência da música e da arte.

Mas onde está o rock? E o grunge? E a música? Onde estão as marcas dos estilos que tanto influenciaram a juventude local desde os anos 1950? A resposta começa no The Crocodile (2200 Second Avenue; aberto até às 2h), bar famoso por ter dado chance de tocar a bandas como Pearl Jam, Nirvana e R.E.M – quando elas eram meras desconhecidas. Um dos donos é Sean Kinney, o próprio baterista do grupo Alice in Chains, sucesso absoluto nas paradas dos anos 1990 – auge da onda grunge.

Em seguida, vale visitar o bairro Capitol Hill, considerado o baluarte da cultura musical do noroeste dos Estados Unidos. Há desde uma (venerada) escultura de Jimi Hendrix tocando guitarra, na esquina da Avenida Broadway com a Rua Pine, até performances teatrais encenadas na rua e nas dezenas de centros culturais experimentais espalhados por casinhas do bairro. Sem contar numerosos bares de música ao vivo e baladas. Uma curiosidade são os Dance Steps, espalhados pelo piso das calçadas: tratam-se de solas de sapatos feitas de bronze, dispostas de forma a ensinar passos de dança.

De uma forma ou de outra, esses locais acabam sempre fazendo referência a várias figuras que nasceram em Seattle ou que a adotaram em seus corações. Na infindável lista constam Jimi Hendrix, Kurt Cobain, Bing Crosby, Dave Matthews, Frances Farmer, Kenny G, Bruce Lee e até Bill Gates.

A herança musical e cultural dessas pessoas também é notória em outro bairro boêmio e cheio de charme. Atravessando a ponte Aurora (também chamada de ponte George Washington Memorial) chega-se à Fremont. É um lugar de atmosfera ímpar. Para começar, debaixo da própria ponte “mora” a escultura de um monstro gigantesco agarrando um Volkswagen. Trata-se, na verdade, de um troll, que é símbolo mitológico da cidade. Todos os anos, no dia das bruxas, a prefeitura organiza uma caminhada de gente fantasiada, que começa sempre na impressionante escultura de cinco metros e meio de altura.

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Fremont é um reduto de excentricidades e correntes alternativas. É agradável passear por suas ruas e descobrir pequenos brechós, galerias e boutiques de roupa vintage, como as existentes no Fremont Vintage Mall (3419 Fremont Place North; abre diariamente, das 11h às 19h; domingos, das 11h às 18h). O espírito rebelde e desenfreado se revela igualmente em espetáculos e festas de rua – marca registrada desse bairro que está para Seattle como a Lapa para o Rio de Janeiro ou como a Vila Madalena para São Paulo.

A irreverência deu origem a outras obras de arte incomuns, que hoje figuram nos roteiros turísticos. É o caso da estátua em bronze, de cinco metros de altura, de Vladimir Lenin, rodeada de labaredas e símbolos bélicos. Importada da Eslováquia, ela é objeto de brincadeiras no ano todo. No Natal, acaba sempre vestida de Papai Noel; no Halloween, de fantasma, e assim por diante.

Essa mania de fantasiar esculturas é um costume típico e ganhou até nome oficial: art attack (que significa “ataque à arte”). Poucas obras passam ilesas. Uma das “sagradas” é o Fremont Rocket – um foguete da época da Guerra Fria, pintado com o lema da cidade: De Libertas Quirkas (que significa “liberdade de ser peculiar”). Afinal, com a liberdade não se brinca. Não nessa metrópole futurista, marcada pela vontade de inovar e quebrar os padrões.

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