A leitora e jornalista Christiane Nociti escreveu para nós contando sua incrível aventura na Chapada Diamantina e aceitou partilhar com o mundo.


«Sou amante do ecoturismo e adoro estar em contato direto com a natureza. Quando um grupo de amigos da Praia do Forte (BA) me convidou para fazer a trilha da Cachoeira da Fumacinha, na Chapada Diamantina, resolvi aceitar esse desafio.

A Chapada Diamantina é um pedacinho do paraíso para mim, um local abençoado! É aqui que a natureza mostra os seus maiores encantos, revelando altas planícies, vales profundos, rios e cursos d’água. Dentre todas as beldades, a Cachoeira da Fumacinha merece destaque pelos seus cem metros de queda livre, em um canyon de duzentos e vinte metros, que possui uma energia fantástica.

Muitos visitantes optam por fazer campismo selvagem entre os canyons para absorver ainda mais a energia deste local. Outros preferem ficar em uma das várias pousadas da região. A minha dica para entrar no clima da Chapada Diamantina é se hospedar na pousada Bocaina, construída em estilo coloniChristiane Nocitial rústico e que valoriza a contemplação da natureza. Outra opção é se hospedar em Mucugê, que fica a 80 quilômetros de Ibicoara e que oferece mais opções de acomodação.

A maneira de chegar à trilha da Cachoeira da Fumacinha é através de Ibicoara, município a 550 quilômetros de Salvador, no extremo sul da Serra do Sincorá, que faz parte do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Da entrada do parque até a cachoeira são nove quilômetros de trekking pesado entre os canyons do local.

O percurso pode ser feito de duas maneiras: em um dia, numa caminhada que dura oito horas e é bastante cansativa; ou em dois ou mais dias, aproveitando para fazer paradas relaxantes pelo caminho. Nós optamos por fazer em três dias.

No primeiro dia, caminhamos durante quatro horas para chegar ao local do acampamento, no Poço do Encontro, onde tem uma cachoeira menor, mas também encantadora. Deixamos o segundo dia inteirinho para curtir a Cachoeira da Fumacinha. A caminhada do Poço do Encontro até lá é feita em aproximadamente uma hora. O terceiro dia é dedicado ao retorno, com parada final no Poço do Lago do Baixão, ideal para banho e descanso da longa caminhada.

Para fazer esse roteiro é preciso estar bem preparado. Os meus amigos cresceram indo para a Chapada nas férias e todos pareciam estar muito bem preparados fisicamente. Entre os que fizeram a trilha estavam professores de pilates e surfistas. Me deu uma certa insegurança, por isso durante seis meses antes da viagem, tive que acelerar nas atividades físCachoeira da Fumacinhaicas para adquirir resistência. Para isso, eu aderi às caminhadas na praia, fiz aulas de “jump” na cama elástica e jogava frescobol na praia, nos finais de semana. E ainda bem que fiz isso. Existem trechos do caminho que exigem a prática de pequenas escaladas, também conhecidas como “escalaminhada”.

Durante a caminhada, desfrutamos da beleza do Poço da Pedra Lascada, do Encontro, da Cachorra e do Lago do Baixão, onde os visitantes aproveitam para descansar e se banhar em suas águas renovadoras.  É muito fácil se perder, daí que além do preparo, é preciso ir acompanhada de condutores locais credenciados pela Secretaria Municipal de Turismo e Meio Ambiente de Ibicoara.

Há uma ONG chamada Bicho do Mato que tem como objetivo educar para a preservação da natureza. Eles oferecem serviços de guias credenciados para grupos de até seis pessoas e atividades de aventura, como rapel, escalada, trekking e hiking. O nosso guia, Ian Malaquias é um dos trabalhadores da ONG e apaixonado pelas trilhas, porque cresceu desbravando-as.

Nesta experiência, o espírito de equipe é essencial. Uma trilha assim requer interação e ajuda mútua para superar problemas que surgem no caminho. Um exemplo que posso dar, é que eu tenho medo de entrar em cavernas estreitas e, no meio do caminho, chegamos a um local onde teríamos que entrar numa delas. A outra opção seria atravessar um poço nadando. Um amigo se ofereceu a atravessá-lo comigo, enquanto o guia carregava a minha mochila pela caverna. A água estava gelada, pois o passeio foi feito no mês de junho, mas mesmo nesse sufoco, a equipe se uniu e resolvemos esse impasse.

Alguns equipamentos indispensáveis para fazer esta atividade são: lanterna, roupas confortáveis e quentes para o período noturno e tênis dFumacinhae montanhismo à prova d’água. Para vocês terem uma ideia, quando terminei a aventura joguei meu calçado no lixo, pois ele já estava velho e arrebentou inteiro!

Vale dizer que não se deve levar peso excessivo na mochila. É aconselhável para as pessoas que têm pele sensível fazer a trilha de calça e camisa de manga comprida por causa dos mosquitos e da vegetação que pode arranhar. É recomendado dispensar o uso do protetor solar e repelente, devido aos danos que estes podem causar ao meio ambiente.

Pedi à minha amiga, Andréa Borde que fez o passeio comigo para dar um testemunho desta aventura: “Acredito que o meu desempenho foi um pouco prejudicado pela falta de um sapato adequado e também, porque dividi a minha lanterna com mais duas pessoas. Mas, a harmonia da natureza, as risadas, as canções vindas do violão ao redor da fogueira durante a noite, o calor da fogueira e o singelo som da mata, superaram qualquer tipo de dificuldade.” Mais tarde, a mestranda em Letras acrescentou: “O lugar me proporcionou momentos de êxtase sem precedentes. Foram três dias de ar puro, banhos de cachoeira, reflexões diante das belezas de um lugar intocado”.»

Fotos: Cachoeira da Fumacinha (primeira foto). Christiane Nociti fazendo a trilha (segundo foto, à direita). Cachoeira da Fumacinha (terceira imagem. à esquerda). Cachoeira da Fumacinha (último foto, à direita).


Tem alguma experiência de viagem que queira partilhar conosco? Deixe um comentário abaixo ou escreva para a nossa redação.

Comentários

Parabéns pela matéria Christiane, bem completa, dinâmica e fácil de ler.
Obrigada por compartilhar suas experiências!

Wow… What a beautiful place this is. The waterfall looks like it's coming out the rocks. I've never seen falls like this one, so beautiful. The caves and the small falls make a great trail to hike.

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