Por: Natasha Sá Osório


O Camboja é um lugar intenso, onde as emoções se alteram entre comoção e deslumbre. O histórico recente cheio de violência contrasta com a rica espiritualidade e a alegria das pessoas nos dias atuais. Com 14 milhões de habitantes, encravado entre Vietnã, Laos e Tailândia, o país tem no turismo sua segunda maior fonte de renda, depois apenas da indústria têxtil. E dá para entendero porquê. 

A capital do Camboja é Phnom Penh, e também a sua maior cidade. Cresceu de modo avassalador nos últimos 10 anos, atingindo 2,2 milhões de habitantes. Cada vez mais arranha-céus, avenidas largas, investidores e bancos internacionais abrem espaço. É um contraste com o Camboja de um passado não muito distante. O atraso reinou nas várias décadas de colonização francesa (que foi até 1953). O prognóstico de futuro era desanimador nos anos 60, quando bombardeios frequentes atingiam o país durante a Guerra do Vietnã. E tudo parecia perdido em meados dos anos 70, período em que as lutas internas levaram ao poder o pavoroso regime do Khmer Vermelho, ou Khmer Rouge (1975-1979), com sua política genocida.Phnom Penh

Mas isso passou. Pouco a pouco, nos últimos 32 anos, os cambojanos deixaram aflorar o lado bom de sua cultura. E o resultado é a pujança das cidades e a preservação dos sítios históricos. 

O frenesi dos dias de hoje pode ser visto caminhando pelo enorme Mercado Central de Phnom Penh, com sua cúpula e quatro “braços” emergindo. Ali encontra-se de tudo, o que quer que falte na sua mala de viagem ou que você precisava e nem sabia. O mais bacana é que, assim que ele fecha, uma feira noturna levanta suas barracas, espalhando-se pelas ruas ao redor. 

Durante o dia podem-se explorar várias atrações, a começar pelo Palácio Real, residência do rei que lidera a monarquia constitucional do país, NorodomSihamoni. Dourado por fora e cercado por jardins coloridos, ele fica logo ao lado do Museu Nacional, que contrasta graças aos seus tons rosados. Este último, aliás, tem uma rica coleção de 14 mil itens, entre esculturas, objetos de arte e de arqueologia – muitos datados de tempos pré-históricos. 

O ponto turístico mais notável, contudo, é Wat Phnom, o templo budista do século 14 que se ergue sobre uma colina. A capital do Camboja cresceu em volta dele. Diz a lenda que foi construído em 1387 por DaunPehn, uma viúva muito rica. Daí o nome da cidade “Phnom Penh”, que Wat Phnomsignifica “colina de Penh”. 

Há lugar também para os mais aventureiros. Agências locais como a Blazing Trails oferecem passeios de quadriciclo pelo entorno da metrópole, recomendado para pilotos já com alguma dose de experiência. Os caminhos são de pedra e lama, passando por campos de arroz, lagos com belas flores aquáticas, palafitas, templos escondidos e um santuário de animais selvagens. Nesses tours, o almoço é servido em piquenique à beira-rio. Uma das iguarias muito comuns é a rã no espeto, que tem sabor semelhante ao de galinha assada. 


O passeio termina no
ChoeungEk – o mais notório dos chamados killingfields, isto é, campos onde as vítimas do genocídio do Khmer Vermelho eram enterradas em valas comuns. No centro, ergue-se um monumento repleto por crânios encontrados.

O Museu do Genocídio TuolSleng conta a história desse período negro, em que o ditador PolPot liderou o extermínio de mais de um milhão de pessoas, por serem intelectuais ou contrários ao governo(mas os números divergem; há quem diga que foram 3 milhões). O fato inspirou o sucesso do cinema Gritos do Silêncio, vencedor do Oscar em três categorias em 1985. 

A tristeza desse lugar é suavizada pela beleza da natureza que surge ao lado das estradas e pelo sorriso tímido, mas sempre presente, dos locais.PsarChaa

A cerca de 400 quilômetros de Phnom Penh está Siem Reap, uma cidade com ares de vilarejo, mas dotada de tudo que um bom destino turístico pode oferecer. Ali há bares e restaurantes com cardápios em inglês, o agitado mercado noturno de PsarChaa e os spas à moda asiática. Isso significa ver gente enfiando os pés em tanques lotados de peixes-médico. Eles delicadamente mordiscam a epiderme, tal e qual uma pedicure natural. 

Nos últimos anos, houve igualmente um boom de hotéis e estabelecimentos como o charmoso Pavillon d’Orient Boutique Hotel. Ou do suntuoso La Residence d’Angkor, pertencente à rede Orient-Express, a mesma dos trens de luxo que cruzam a Europa. 

A razão desse progresso é o Parque Arqueológico de Angkor– uma área de mil quilômetros quadrados, onde florestas verdejantes permeiam as ruínas de inúmeros sítios arqueológicos. Angkor foi a capital do Império Khmer até o século 15, quando o declínio causado por ataques e pilhagens de povos siameses (originários da atual Tailândia) obrigou um milhão de habitantes a migrar rumo ao sul. O espaço ficou ao abandono até ser descoberto por exploradores no século 19.

Hoje, turistas do mundo todo costumam levantar bem cedo para ver o sol nascer por trás do mais místico e imponente templo de todos, o Angkor WatAngkor Wat. O show de rara beleza é apreciado com silêncio no ar – apenas quebrado pelos cliques das câmeras fotográficas. 

Quando o sol finalmente desperta, pode-se ver Angkor Wat por dentro e visitar os demais templos. Tarefa que exige sapatos confortáveis, roupas discretas (que escondam os joelhos e ombros, por respeito aos costumes locais), bastante água e preparo físico para subir e descer escadas. A dica aqui é alugar uma bicicleta ou um tuque-tuque com motorista durante todo o dia, para poder se locomover entre os templos mais facilmente, já que as distâncias são grandes. Nas estradas entre os templos, há barraquinhas servindo comida. Um dia pode não ser suficiente para percorrer todos os templos, por isso reserve um ingresso de três dias.

O melhor é que nenhum sítio arqueológico se parece com o outro. Cada um tem algo de único: o motivo da construção, a cor das pedras, as estátuas e sua história. 

Um dos templos mais fascinantes é TaProhm. Quem viu o filme Tom Raider, protagonizado por Angelina Jolie, vai reconhecê-lo. Dele brotam gigantescas árvores que se mesclam com a arquitetura – as pedras acabam curvadas por raízes mais altasdo que uma pessoa. 

Angkor Thom é outro sítio popular. Trata-se de um enorme complexo de quase 10 quilômetros quadrados, recheado de monumentos. Ele ganhou fama pelas torres decoradas com rostos esculpidos na pedra.Bakheng

Quem passa o dia todo por ali acaba assistindo ao pôr do sol na colina de Bakheng, de onde se pode ver a floresta exuberante ao longe. Esse é o final de jornada perfeito nessa terra mística e repleta de surpresas, onde nem as maiores tragédias apagaram o brilho daquilo que o homem e a natureza construíram.  

Vale a dica: muitos ônibus saindo da capital do Camboja fazem parada em Sihanoukville antes de chegar em Siem Reap, o que pode ser um descanso agradável das longas horas na estrada. As praias de areia tipo farinha e o mar quente das praias Serendipity (a mais baladeira) e Otres estão cada vez mais populares entre mochileiros e espera-se um boom no turismo – ainda mais com a criação de novos voos diretos desde Siem Reap com a Cambodia Angkor Air. Vá, antes que estrague. 

Como chegar ao Camboja: não há voos diretos para o Camboja desde o Brasil e as viagens para lá duram no mínimo 28 horas. Já que o percurso é longo, aproveite também para conhecer a Tailândia, o Laos e o Vietnã.  melhor itinerário é pegar um voo da Air France ou da KLM até Bangkok, na Tailândia, fazendo escala em algum hub europeu (geralmente Paris ou Amsterdam) e depois outro de conexão até Phnom Penh. A Korean Air  faz voos desde São Paulo ou Campinas até Phnom Penh passando por Seoul (na Coreia), Bangkok ou o aeroporto de Bole, em Addis Ababa, na Etiópia. 

Apresentamos as melhores opções, mas também é possível fazer um trecho da viagem com uma companhia aérea e depois optar por outra, ou aproveitar os voos em codeshare (quando uma ou mais companhias aéreas vendem passagens para o mesmo voo). Atente-se nos países onde fizer escala, pois alguns exigem visto mesmo estando só de passagem pelo aeroporto.

Como circular no país: o Cambodia Angkor Air  faz voos para Siem Reap e SihanoukVille, mas a maior parte dos turistas ainda prefere viajar de ônibus. As estradas são precárias e as viagens longas, mas, em geral, os ônibus turísticos são confortáveis e as vistas prometem momentos agradáveis. O Mekong Express tem ônibus e vans privativos. Dentro das cidades, o tuque-tuque é o método mais convencional de locomoção. Negocie o preço antes de entrar no veículo.

Fotos: Parque Arqueológico de Angkor (primeira foto), Phnom Penh (segunda imagem, à direita), Wat Phnom (terceira foto, à esquerda), PsarChaa (quarta imagem, à direita), Angkor Wat (quinta foto, à esquerda) e o pôr do sol de Bakheng (última imagem).

População:15,205,539 (estimada em 2013)

Capital: Phnom Penh

Moeda: riel (KHR). O dólar norte-americano é aceito (e até preferido)

Idioma: cambojano, também conhecida como a língua Khmer

Fuso horário: Phnom Penh tem 10 horas a mais em relação a Brasília

Clima: o Camboja é quente todo o ano, alternando entre a época seca (desde fim de novembro a maio) e de monções (de junho a início de novembro). A temperatura média é de 27 ˚C, mas em abril os termómetros rondam os 40 ˚C

Visto para turismo: são dados vistos à entrada do país, sendo necessário apresentar o passaporte com a validade superior a seis meses, uma fotografia, o Certificado Internacional de Vacinação com comprovante de toma de vacina contra a febre amarela e pagar uma taxa de US$ 20. Se atravessar a fronteira por terra, prefira já ter adquirido o visto através do site oficial de imigrações do Camboja.  Esse processo incorre o custo administrativo adicional de US$ 7, mas vale a pena fazê-lo, já que, por vezes, há casos de falcatruas, pagamentos de propinas “obrigatórias” e outros perrengues na fronteira que você deve evitar

Vacina e saúde:é obrigatórioo Certificado Internacional de Vacinação com comprovante da toma da vacina contra a febre amarela. Após tirar a vacina, peça a emissão do certificado no posto da Anvisa mais próximo, levando o seu passaporte e a carta de vacinação em mãos. Aproveite para verificar também suas vacinas contra a Hepatite A e B, febre tifoide e cólera, que não são obrigatórias mas aconselhadas na região. Beba sempre água engarrafada e use o repelente.Leve seguro/assistência de viagem com cobertura na região. Em caso de necessidade médica, se possível, prefira deslocar-se até a Tailândia para receber tratamento, já que no Camboja as condições são precárias ou extremamente caras em caso de hospital privado

Dica esperta: compre bilhetes de atrações e transportes diretamente nas agências e companhias, para evitar ser enganada. Apesar do calor, leve um casaco para usar nas viagens de ônibus – o costume no país é usar o ar condicionado na máxima potência

Cuidados especiais no Camboja: não ande entre zonas rurais, florestas e campos, pois muitos lugares ainda se encontram minados no país. Prefira andar por caminhos já limpos. Tenha cuidado com a bolsa andando de moto e em tuque-tuques, pois há muitos furtos por lá. Há vários esquemas de pedidos de propinas atravessando a fronteira por terra. Mantenha a calma e siga o seu instinto. Não dê o seu passaporte a desconhecidos e guarde-o em lugar seguro, guardando uma cópia no seu e-mail caso o perca. Em situação alguma aceite drogas ilícitas ou as transporte, pois a pena pode chegar até à prisão perpétua. Programe sua viagem: evite chegar em novas cidades no meio da noite

Emergência: polícia 117 ou polícia do turismo+66 (0) 12 942484 (neste último, o serviço é prestado em inglês), bombeiros 118 ou +66 (0)12 786 693, ambulância 119. A embaixada cumulativa do Brasil em Bangkok, na Tailândia, é responsável pela assistência aos brasileiros no Camboja. Tel.: +66 (0) 2-679-8567; +66 (0) 2-679-8568; +66 (0) 2-285-6080. Endereço da embaixada do Brasil na Tailândia: 34 FloorLumpini Tower 1168/101 Rama IV Road, Thungmahamek, Sathorn Bangkok 10120

Festas e eventos importantes: Ano Novo (1 de janeiro), Vitória sobre o Genocídio (7 de janeiro), Dia de MeakBochea (14 de fevereiro), Dia Internacional da Mulher (8 de março), Ano Novo Khmer (14, 15 e 16 de abril), Dia do Trabalhador (01 de maio), Dia de VisakBochea (13 de maio), Aniversário do Rei NorodomSihamoni (13, 14 e 15 de maio), Dia da Lavra Real (17 de Maio), Dia da Criança (1 de junho), Dia da Mãe do Rei, NorodomMonineathSihanouk (18 de junho), Dia de Finados, chamado de Pchum Ben (22, 23 e 24 de setembro), Dia da Constituição (24 de setembro), Dia da Comemoração do Pai do Rei, NorodomSihanouk (15 de outubro), Dia do Acordo de Paz com Paris (23 de outubro), Dia da Coroação do Rei, NorodomSihamoni (29 de outubro), Dia da Independência (9 de novembro) e Dia Internacional dos Direitos Humanos (10 de dezembro). Durante o Festival da Água, em novembro (dias variáveis), há festas e competições de canoagem no rio Mekong, celebrando o fim das enchentes das águas e o retorno dos peixes

Frases úteis escritas foneticamente: oi  (informal: susdêi / formal: djum rip sú), desculpeou com licença (sômtô) e obrigada (á cun)

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